A Saga da Família Biagi – Parte I

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Os Pioneiros

“Há 126 anos, o navio Adria aportava em Santos, trazendo Pedro Biagi da província de Pádova, da região do Vêneto, Itália.”

 

Com apenas seis anos de idade veio para o Brasil na companhia dos pais. Residiram na fazenda Itatiba em Itatiba-SP, e em 1890, transferiram-se para a região de Sertãozinho. Casou-se em 1904, em Sertãozinho com Eugenia Viel Biagi. Segundo o costume italiano, os filhos mesmo depois de casados permaneciam residindo com os pais e Pedro Biagi continuou o trabalho junto aos pais no cultivo das lavouras, na fabricação de água ardente e na olaria. Sua especialidade era a comercialização e quando saiu da propriedade de seus pais, a Lagoa de Itaré, abriu mão de sua parte na herança. Foi um homem determinado, de ampla visão, alegre, bondoso e espirituoso. Tinha a seu favor a força, o amor e a dedicação de sua esposa na busca de seus ideais.

 

Em 1909 nas proximidades da cidade de Pontal adquiriu sua primeira propriedade, constituída de 12 alqueires, a qual denominou Sítio Vargem Rica. Em 1910, ampliou as terras com a compra de mais uma parte da fazenda Contendas. Residindo em seu sítio, se entregou de corpo e alma ao cultivo da terra e produção de aguardente e tijolos. Teve doze filhos: Amélia Biagi Bonini, Elisa Biagi, Gaudêncio Biagi, Olga Biagi Bighetti, Osonia Biagi, Baudílio Biagi, Maurílio Biagi, Angela Biagi, Isaura Biagi Pinto Coelho, Ida Biagi Scatena, Iris Biagi Gabarra e Osvaldo Biagi.

 

Prosseguindo seus negócios, em 1913 adquiriu mais 10 alqueires da fazenda Contendas e quinhentos milheiros de tijolos e ainda cento e vinte quintos de aguardente. Persistiu no trabalho e, em 1915 arrendou a fazenda Barbacena, para aproveitamento da olaria, madeira e atividade pastoril e, em 1917, adquiriu outra parte de terras da Fazenda Contendas.

 

Espírito empreendedor, em 1917, em sociedade com Mário Bighetti, comprou a fazenda Barbacena, iniciando em 1918 a plantação do primeiro canavial e os alicerces da Usina Barbacena que teve a sua primeira safra em 1922, com uma produção de 6.400 sacos de açúcar de 60 quilos.

 

Em 1936, tornou possível aos olhos de seus filhos, Baudílio, Gaudênio e Maurílio a compra da usina Santa Elisa em Sertãozinho-SP. A Usina teve um inicio numa área ocupada por duas propriedades de café em plena decadência: as fazendas Santo Antonio e Retiro Bianconi, arrematadas em 1932 por dois homens empreendedores e de larga visão, João Marchesi e seu cunhado Pedro Biagi. Logo depois, João Marchesi, adquirindo a parte de Pedro Biagi, fundou a usina Santa Elisa, cuja denominação foi dada em homenagem a sua filha Elisa e a Elisabetta Ferin Biagi, sogra de João.

 

Em 1936, a usina foi vendida aos filhos de Pedro Biagi e João L. Pagano, que constituíram a sociedade Usina Açucareira Santa Elisa S.A. Posteriomente, a Santa Elisa ficou em propriedade de seu filho Maurílio Biagi que após seu falecimento ficou pertencendo a sua nora Edilah Lacerda e filhos.

 

O casal Pedro e Eugenia Biagi sempre muito unidos com a família, comemorou bodas de prata, ouro e diamante que foi celebrado em 1964, na catedral de Ribeirão Preto seguida de um almoço no Umuarama Recreio Hotel, onde o hall foi decorado com painéis alusivos aos ideais do casal. Num dos painéis foi pintado uma olaria e, em outro, um canavial. O salão foi ornamentado cm arranjos de café e cana-de-açúcar.

 

A frase antológica de Pedro Biagi: “Quando fabriquei meu primeiro tijolo, não pensei que teria um prédio com o meu nome na rua principal da principal cidade do Brasil!” (referindo-se ao prédio da Av. Paulista em São Paulo).

Pedro Biagi por onde passou, deixou sinais de sua existência e o reconhecimento está em muitas das homenagens recebidas:

 

Pontal – SP, homenageou-o em vida com o seu nome no Bosque Municipal; Sertãozinho – SP, colocou seu nome em uma rua; Ribeirão Preto – SP, homenageou-o em vida dando o seu nome a uma praça e a Sociedade Recreativa de Esportes de Ribeirão Preto com uma placa de bronze numa da pista de bocha; São Paulo – SP, Pedro Biagi acompanhou e opinou sobre a construção do edifício Pedro Biagi, construído na av. Paulista, 460.

 

Em 1973, aos 92 anos, Pedro Biagi faleceu e, em 1974, Eugenia Viel Biagi juntou-se ao esposo. Inseparáveis, deixaram aos descendentes exemplos de união, harmonia e trabalho e, certamente, a continuidade e expansão de suas atividades econômicas. Suas memórias se perpetuarão às gerações futuras.